O Cavalo “Marinho”


Marinho era um cavalo ruano muito bonito. Desses que a gente só vê em exposição agropecuária de gente importante. A pele azul-prateada de dar inveja em qualquer outro de sua raça.

Vivia para impressionar o seu dono Tobias. Um menino bacana de que toda gente gostava, pois apesar da enorme riqueza de seu pai, o senhor Dimas, tratava a todos com muito respeito e simpatia.

O dia mais feliz da vida de Marinho foi quando havia sido dado de presente a Tobias. Estava todo escovado e penteado, com fita vermelha novinha no pescoço.
Ainda se lembrava do sorriso do garoto quando o havia visto. Do tamanho do mundo.
Os dois haviam se tornado amigos inseparáveis e Marinho não poderia ter vivido ano mais feliz.
As corridas pela fazenda, as trilhas de montanhas e riachos, as serestas e os passeios a lua cheia! Ah… quantas aventuras…
Mas agora, quase um ano depois, o próximo aniversário de Tobias se aproximava, e Marinho pensava, preocupado, que novo presente seu Dono poderia ganhar.

Em uma certa manhã no estábulo, ouviu uma conversa entre Tobias e seu pai.

– E aí Tobias? Que novo presentão você vai querer, meu filho? Tu é um menino muito bom, estudioso e honesto, e merece escolher o que quiser.

– Obrigado, pai. Tento sempre fazer o meu melhor! Queria te pedir isso há um tempão, mas tava meio sem graça.

– Sem graça que nada, meu filho! Pode falar, que o pai te dá.

– Está bem, pai… Bom…eu…bem… eu queria…um cavalo marinho.

Ao ouvir aquelas palavras as pernas de Marinho ficaram bambas. Se pudesse chorar que nem os humanos, teria gastado uns cinquenta lenços. Como aquele pesadelo poderia estar acontecendo? Como seria possível? Ser traído assim pelo seu dono e melhor amigo! Um outro cavalo?! E ainda com o mesmo nome que o seu!

A vida de Marinho desabou naquele mesmo instante. Passou a comer menos, correr mais devagar e nem mesmo conseguia mais dormir.
Apesar de tudo isso, Tobias ainda passava muito tempo com ele.
Chamando, inclusive, os melhores veterinários para atendê-lo. E todos diziam a mesma coisa. Não havia nada de errado com ele.

Certa noite, Marinho recebeu a visita de Coruja Jurema, uma amiga de longa data que, às vezes, buscava esconderijo no forro quentinho do estábulo.

– Como vai dona, Jurema? Eu estou muito mal sabe.

– Mas por que, amigo Marinho? Conte tudo para sua amiga, que eu sou muito sábia e com certeza vou te ajudar.

E Marinho contou e contou sua história triste. No final, incluiu até a parte do veterinário, pensando, com esperança, que Tobias não tivesse se esquecido de todo dele. Mas no final, o rosto da amiga Jurema não parecia nada animador.

– Infelizmente me parece que o menino Tobias está só esperando o cavalo novo chegar mesmo, Marinho. Aí, ele vai te largar de vez.

Marinho fez a maior cara de tristeza do mundo. Então, Coruja Jurema falou:

– Mas o que é isso, Marinho? Não acredito que vai desistir assim tão fácil! Logo você, que vence qualquer trilha e enfrenta qualquer perigo na estrada! Reaja, meu amigo! Use essa força para ser ainda melhor e mais especial, para que, quando esse novo cavalo marinho chegar, você dê uma coça nele em qualquer corrida e Tobias o mande logo ser devolvido na feira.

– Peraí. Até que a coruja Jurema estava certa – pensava Marinho com um enorme fogaréu de animação surgindo dentro do peito. Não ia se deixar vencer assim tão fácil e faria de tudo para reconquistar seu querido amigo!

No dia seguinte, Tobias ficou impressionado. Havia mandado chamar veterinário importante, de cidade grande e tudo mais. Só que quando foi ver Marinho com o tal veterinário, seu cavalo estava ótimo. Comendo de tudo, sorridente, forte e vigoroso. Correndo e correndo sem parar. Tobias não entendeu nada.

Os dias passaram e, finalmente, chegou a véspera do aniversário do menino.
Marinho tinha até esquecido um pouquinho desse tal cavalo novo quando então ouviu os peões da fazenda gritarem:

– Chegou o cavalo marinho do Tobias, pessoal! Seu Dimas mandou guardá-lo do lado da piscina e colocar um pano enorme em cima para não estragar a surpresa do garoto.

Marinho se desesperou. Não ia deixar isso barato não. Na madrugada, fugiu do estábulo e correu em direção a esse tal cavalo ridículo que não podia ir para estábulo e tinha de ser coberto com pano!  So faltava essa!

Mas quando chegou do lado da piscina, não entendeu nada. Pois não viu cavalo nenhum e sim uma enorme caixa de vidro coberta

Pato Caco, frequentador assíduo da piscina nas madrugadas, e que se achava grande conhecedor dos assuntos da fazenda e do mundo, viu Marinho rodear e rodear a caixa de vidro sem saber o que fazer.

– Se achegue aqui, Marinho. Tá olhando o cavalo novo, não é?

– E daí, se estiver?! – respondeu Marinho todo ressabiado.

– Muito impressionante, sabia? Ele até respira de baixo d’água!

Por essa Marinho não esperava. Correr, saltar e enfrentar perigos tudo bem. Mas respirar debaixo d’água ?  Isso seria impossível…

– Não desanime não, amigo Marinho, que vou te ajudar. Tu não vem muito por essas bandas da piscina, então, não sabe das coisas. Mas eu, meu querido amigo, sei de tudo. Menino Tobias tem um aparelho que pode te salvar porque com ele, até o menino respira debaixo d’água.

– Tu tá de brincadeira comigo, não é seu pato? Mas cumequi Tobias vai respirar debaixo d’água?

– Credita em mim não é? Pois juro por Deus. Ele usa uma máscara e um caninho diferente. A máscara serve pra tu enxergar lá debaixo e o caninho… tu faz assim… coloca uma parte na boca e a outra fora d’água. Daí consegue respirar.

E o coração de Marinho, então, quase pulou. Ainda havia uma chance, apesar de tudo! Agradeceu de todo o coração ao amigo pato e correu sorrateiro para a janela do quarto de Tobias. Abriu devagarinho Com seu pescoção e procurou, forçando os olhos pelo quarto escuro, até que viu o tal aparelho pendurado ao lado da cama de seu amigo. Com todo cuidado, enfiou a cabeça pela janela e pegou emprestado o equipamento com os dentes.

Depois de quase a noite toda, finalmente conseguiu colocar a cabeça naquela bendita máscara e correu para dentro do tanque de água antes que a festa começasse.
Ainda estava escuro e quando puxou o pano que a cobria, Marinho nem mesmo conseguiu ver seu rival. Mas como não tinha muito tempo, mergulhou dentro do tanque e tacou o pano por cima de novo.

– Mas como era apertado – pensava animado. Esse outro cavalo deve ser magrelinho porque quase que eu mesmo não tô cabendo aqui… Ou, então, tá é encolhido de medo em algum canto.

– Por essa tu não esperava, não é, seu cavalo cretino? Quando menino Tobias me ver aqui dentro nem vai pensar mais em você. Porque o melhor amigo dele também respira debaixo d’água agora! Então, para que ele iria precisa de outro, não é?

A hora da festa chegou. Tobias e dezenas de convidados se aprumaram em volta da piscina para ver tão diferente presente por aquelas bandas e imaginem a cara de todos quando seu Dimas puxou o pano e viu o Marinho todo apertado dentro do aquário com o pobre do cavalo marinho encolhido em um cantinho?!?

marinho

A plateia não conseguiu se segurar e caiu na gargalhada. Até mesmo as senhoras mais recatadas não conseguiram se conter.
Como Marinho ficou sem graça. Então, aquela minhoquinha era o tal do cavalo marinho?

E até hoje, muitos anos depois, quando andam pelos campos verdes das planícies celebrando sempre a sua grande amizade, Marinho e Tobias riem daquela história.

FIM

Rodrigo Lopes

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